Problemas socioambientais envolvem diferentes conhecimentos, interesses, valores e formas de compreender o território. Por essa razão, muitas questões relacionadas à água, uso do solo, conservação da natureza, patrimônio e qualidade de vida não podem ser tratadas apenas por meio da transmissão de informações técnicas. Elas demandam diálogo, participação e construção compartilhada de conhecimentos e decisões.
A aprendizagem social é uma abordagem baseada na interação entre diferentes atores e no aprendizado produzido durante processos coletivos. Nessa perspectiva, aprender significa também compreender as percepções do outro, reconhecer conflitos e interesses, compartilhar conhecimentos, construir relações de confiança e buscar soluções de forma colaborativa. O processo pode envolver escolas, comunidades, pesquisadores, gestores públicos, organizações sociais e outros grupos relacionados ao território.
Os trabalhos desenvolvidos por integrantes do GeoHereditas utilizam a aprendizagem social em associação com a Educação Ambiental, o ensino de Geociências e a geoconservação. A escola tem papel especialmente importante nesse processo porque pode atuar como espaço de produção e multiplicação de conhecimentos e de articulação com a comunidade. Projetos de formação de professores e pesquisas desenvolvidas em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, mostraram como o estudo da geodiversidade, do patrimônio cultural e dos problemas socioambientais locais pode gerar propostas educativas colaborativas e ampliar a participação de diferentes atores.
As metodologias participativas são ferramentas que ajudam a transformar esses princípios em práticas. Entre as metodologias utilizadas e investigadas pelo grupo destacam-se o mapeamento socioambiental, a construção de agendas locais, rodas de diálogo, World Café, pesquisa-ação, jogos de papéis, monitoramento participativo, atividades de campo e outras formas de diagnóstico e produção coletiva. O objetivo não é apenas produzir um mapa, um documento ou uma atividade, mas criar um processo no qual os participantes possam observar o território, compartilhar percepções, relacionar conhecimentos científicos e saberes locais e construir novas interpretações sobre problemas e potencialidades.
O mapeamento socioambiental tem presença marcante nessa trajetória. Por meio dele, participantes identificam e espacializam elementos naturais e culturais, usos do território, conflitos, riscos, problemas e lugares considerados relevantes. A elaboração do mapa torna-se uma oportunidade para discutir por que diferentes grupos percebem o mesmo lugar de maneiras distintas e como essas percepções podem contribuir para propostas educativas e para a gestão ambiental.
Essas abordagens foram aplicadas em diferentes contextos, incluindo formação de professores, governança da água, propostas de geoparques, unidades de conservação e projetos com comunidades. No GeoHereditas, também integram pesquisas sobre serviços ecossistêmicos e processos socioeducativos no Parque Estadual da Serra do Mar e iniciativas de educação para a geoconservação.
Aprendizagem social e metodologias participativas são, assim, utilizadas como meios para aproximar conhecimento científico e experiência social, fortalecer a participação e estimular processos de corresponsabilização. Mais do que ensinar sobre um território, procura-se aprender com ele e com as pessoas que o constroem e transformam.
Áreas de atuação
Produção acadêmica
Divulgação científica